The Strokes

A primeira vez que eu escutei The Strokes – sem ser numa rádio qualquer e sim realmente ouvir – foi em 2020 quando lançaram The New Abnormal, e me atrevo dizer que foi um dos melhores álbuns que eu já ouvi. 

álbum – the new abnormal

Tudo nessa sequência de músicas ainda ressoa, mas na época ressoou diferente comigo, era tão único: a melancolia, a progressão de pensamento de faixa em faixa que no final não leva a nenhuma grande conclusão, aquela sensação única de quando você pensa pensa pensa, mas tudo continua igual, tudo mudou menos você.
“The Adults are Talking”, “Selfless”, “Bad Decisions” e, como não falar dela, a majestosa “Ode to the Mets”. É uma junção daquelas coisas que você não pode controlar,  como em Adults are Talking que é o pai do Julian (mind you, um marmanjo) fazendo merda, respingando nele e aquele sentimento de depois de velho ser uma criança que não tem voz quando o assunto são os pais. Mas também tem as consequências das suas próprias ações, ao tentar se redimir e se tornar Selfless, depois de fazer tudo errado e sua até então esposa pedir divórcio, mas será que realmente adianta? 6 meses depois já estava com uma novinha tal qual todos os “rockstars” 40tões. E, por fim, Ode to the Mets e put4 m3rda, que apoteose! Tudo andou em direção a isso, e finalmente chegou, está tudo dando errado que desespero, desculpa por tudo, mas por enquanto vai continuar assim.

“I’m gonna say what’s on my mind
Then I’ll walk out, then I’ll feel fine”

– ode to the mets

“They will blame us, crucify and shame us
We can’t help it if we are a problem”

– the adults are talking


Depois dessa experiência life changing não teve jeito, fui atrás e ouvi os outros álbuns (admito que nunca ouvi “Comedown Machine” por completo, mas vamos deixar isso em off), e comecei a criar uma conexão de alma com todos ali da banda, toda música soava como uma conversa heart to heart em que eles me entendiam e eu entendia eles. Sei que é uma fala bem parassocial, mas não posso fazer nada se era assim que eu me sentia. 


Disclaimer: vou focar nos meus álbuns e faixas favoritos, porque não sei nada de música e estou escrevendo apenas com um coração puro e muita paixão pelo esporte.

Comecei pelo começo, com Is This It (2001), e que rolê diferente, bem rock clássico de garagem, juventude, paixões e um toque de rebeldia, admito que que já dava pra ouvir no som deles aquela pitada única de melancolia, tanto na guitarra do Albert quanto na voz do Julian (eu não entendo nada de música). Aqui não tem como não destacar “Is This It”, “Last Night”, “Take or Leave it”, “Someday”  e “Hard to Explain” – quase metade do álbum eu sei, mas fazer o que, track pura é track pura. 

álbum – is this it

Fica tranquilo, que é só dar play no álbum que a pedrada já vem, você tá no auge da juventude, tanta coisa nova, sonhos e promessas, mas essas promessas são realmente verdade? Às vezes só quero ficar deitada sem fazer nada, sem empolgação, e aí só vem aquela dúvida: sério que This is It? Que merda né. Daí você tenta conversar com alguém, talvez seus amigos, e ao mesmo tempo que vocês se entendem, vocês não se entendem. Mas no fim, você tem que decidir Take or Leave It, por que todo mundo já te falou, todo mundo sabe e você também que in many ways, we’re gonna miss the good old days.

“Well, I’ve been in town for just ’bout 15, oh, minutes now
Oh, baby, I feel so down, and I don’t know why
I keep walking for miles”

– last night

“When we was young, oh man, did we have fun […] Ah, see, alone we stand, together we fall apart
Yeah, I think I’ll be alright”

– someday

A próxima parada foi “Room on Fire” (2003), aqui a vibe é parecida com o debut, mas com um pouco mais de melodia, admito que não é um dos meus favoritos, então não vou gastar palavras com ele, mas vale mais que a pena ouvir “You Talk Way too Much” e a clássica “Reptilia” que convenhamos que tem o título que tem merecidamente. “The room is on fire as she is fixing her hair”, acho que é um dos meus versos favoritos deles, é a exata sensação daquele olhar apaixonado quando você ta fazendo algo “escondido” e “errado” (não é realmente errado, mas é melhor não saberem, só no segredinho) e ela está lá, e aí dá aquele frio na barriga delicioso. 

“I said it’s my fault
It’s my fault
Can’t make good decisions
It won’t stop […] Give me some time, I just need a little time […]You talk way too much
It’s only the end”

– you talk way too much

álbum – room on fire

Esse aqui aquece onde dói, em “First Impressions of Earth” (2006) nós vamos mergulhar nessa sensação e reflexão deliciosamente deprê (juro que é no bom sentido), porque eles começam com “You Only Live Once” dando aquela sensação de que viver, se apaixonar, tentar de tudo pelo menos uma vez da sentido á vida (shut out para a demo “try anything once”), que não tem porque desistir e se estressar tlgd, é só seguir a vida, afinal a gente só tem uma. A partir dai fudeu, daqui pra frente é só pra trás. Logo mais já vem as minhas faixas favoritas num back2bck que acaba com qualquer um: “Razorblade” e “On the other Side”. É bizarra essa mistura de culpar os outros, se culpar, se perdoar, perdoar os outros e depois culpar todo mundo de novo. É até difícil de descrever aqui, porque é realmente uma experiência sem igual.

“I hate them all
I hate myself
For hating them So drink some more
I’ll love them all
I’ll drink even more
I’ll hate them even more than I did before”

– on the other side

“Oh, no
My feelings are more important than yours
Oh-oh-oh, drop dead
I don’t care, I won’t worry”

– razorblade

a maior pedrada do século pprt

TW: tópico sensível

o mais temido: “Reality Awaits”

Álbum novo agora de 2026 é difícil de ouvir tá? E isso porque eu estava num hype absurdo, eles finalmente tinham feito as pazes e diziam estar cooking… Mas depois de três longos e sofridos meses tentando encontrar algo de bom nesse álbum as faixas “Dine n’ Dash” e “Lonely in the Future“.

“Say, I think I’m prejudiced
‘Cause I don’t like your face
Over time, I’ll accept it though
I guess I’m just an animal”

“One at a time, we’re born
Nothing is off the table anymore
Life, life isn’t what they taught
Oh shit, I’m out of ammo
One in a million for sure”

– dine n’ dash

É isso, The Strokes mudaram minha vida e eu estou contando as horas para o show deles, que tenho certeza que vai ser horrível, vão mudar toda a setlist, não vou estar num lugar bom para ver o palco, o Julian vai cantar tudo errado, eu vou tentar gravar e vai ficar tudo borrado fudido e depois ainda tem umas 3 horas de metrô pós show pra chegar em casa. É, com certeza vai ser incrível.

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